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Somos todos normais, até termos filhos!

Aquele que já foi o Blogue da Mafalda | Por Ana Fagundes Lourenço

Somos todos normais, até termos filhos!

Aquele que já foi o Blogue da Mafalda | Por Ana Fagundes Lourenço

Sobre o bebé Salvador

09.11.19, Ana Fagundes Lourenço

Penso que o acontecimento que marcou esta semana foi o caso do bebé Salvador.

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Não quero entrar em pormenores, até porque nem tenho assim grande conhecimento da situação, mas parece que um sem-abrigo ouviu um barulho e, num olhar mais atento, encontrou um recém-nascido dentro de um caixote de lixo. Tanto quanto se sabe, tinha ainda o cordão umbilical (não bloqueado) e vestígios de sangue, o que poderá ser indicador de um parto feito há muito pouco tempo. Portanto temos um bebé, acabado de nascer, completamente nu, dentro de um caixote de lixo, ao pé de um estabelecimento de diversão nocturna. Que boa recepção teve este miúdo!

As redes sociais apressaram-se a condenar. Dias mais tarde, a PJ identificou e deteve a mãe: Uma jovem cabo-verdiana, 22 anos de idade, sem-abrigo. 

As condições precárias da mãe serviram de pretexto para inúmeras publicações de seres espectaculares que pretendiam justificar o acto praticado. Coisas como "quem somos nós para julgar esta mãe, quando estamos no conforto dos nossos lares?" são apenas exemplo das pérolas que tive o prazer de ler.

Gosto pouco de fazer juízos de valor. Sou totalmente a favor da liberdade individual e acredito piamente que devemos fazer tudo o que pudermos para alcançarmos aquilo que nos poderá fazer felizes, desde que isso não interfira com terceiros. E se isso implicar não ter filhos, está tudo bem. A sério. Não é por acaso que sou, também, a favor do aborto.

O que não posso aceitar é o comportamento pouco natural desta mãe. Sim, a gravidez assusta, a maternidade é um bicho papão, mas o comportamento normal de uma mãe (seja de que espécie for) é o de proteger a sua cria. 

Neste caso específico, a mãe escolheu condenar o filho à morte. Deixar um bebé num caixote de lixo, sem qualquer agasalho, é condená-lo à morte. Esta mulher que, segundo as autoridades, não aparenta ter problemas psíquicos, escolheu virar costas a um ser indefeso. Foi uma escolha, não me lixem! Não lhe deu sequer uma hipótese. Porra, custa muito dirigir-se a uma unidade hospitalar e fazer um aborto? É gratuito, caramba! Não quer abortar, mas também não quer saber da criancinha? Dê para adopção! Desculpem, mas não há justificação.

Portanto, peço desculpa se ofendo alguém, mas espero que a Justiça puna exemplarmente esta mulher. E sim, é nosso dever ajudá-la, mas primeiro terá de pagar pelo crime que cometeu.