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Somos todos normais, até termos filhos!

Aquele que já foi o Blogue da Mafalda | Por Ana Fagundes Lourenço

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A presença dos pais nas redes sociais

Longe vão os tempos em que navegávamos à vontadinha pelo mundo virtual

11.08.20, Ana Fagundes Lourenço

Olá!!!

Parece que as férias já terminaram e agora tenho de trabalhar. Uma canseira, bem sei.

Mas o que me traz hoje aqui é um assunto delicado, mas que urge discutir. E falo do quê? Da presença dos nossos pais nas redes sociais. Alguém tem de falar sobre isto pessoal!

Antes de mais, é preciso contextualizar as coisas. Sou dos anos 80. Utilizei o emule e o messenger. Sou do tempo em que ou se falava ao telefone, ou se usava a internet. Passei horas no mIRC e escrevi vezes sem conta o lendário "oi. ddtc?"! Sou do tempo em que ostentação era sacar do Nokia 3310 e jogar serpente e senti-me a pessoa mais poderosa do mundo quando recebi o meu telemóvel que já tinha opção mãos livres!

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(Coisa mai linda!)

 

Isto tudo, pessoas, para dizer que a minha geração é que manda nesta merda toda! É que tanto usamos um walkman, como navegamos sem qualquer dificuldade pelo mundo digital. Isto é poder, senhores, e por isto não aceito que a criançada que nasceu em 2000 se ache a realeza da internet. 2000, é de rir...

E se os jovens têm pouco palpite a mandar, imaginem a malta que é do tempo do candeeiro a petróleo. É que não! Nem pensar! Sosseguem-se em frente à TV, vejam os programas da manhã e tentem não gastar as reformas nas chamadas de valor acrescentado, ok?

Só que os pais são do contra, e a dada altura eles acham que devem vingar-se por todos os embaraços que lhes provocámos! Lamentável, bem sei, mas é lidar.

Criei a minha conta no Facebook em 2008. Eram poucos os amigos que lá tinha, na sua maioria colegas de universidade. E éramos felizes a trocar likes e a partilhar umas parvoíces. A malta mais intelectual podia sempre recorrer ao Twitter, enquanto o Facebook se transformava numa espécie de "tasca da internet". E ninguém vai com os pais à tasca, certo?

Isto correu bem durante alguns anos, mas agora a situação tornou-se incomportável. Os meus pais têm conta no facebook e, pasmem-se!, são meus amigos! E a que é que isto dá azo? A momentos...estranhos.

O meu pai tem estatuto de "maior fã" em todas as páginas de orgãos de comunicação social. O homem não perde uma oportunidade para dar a sua opinião: É sobre política, é sobre futebol, sobre a organização dos cuidados de saúde no combate à covid-19...é tudo e mais um par de botas! Acho que o José acredita piamente que, a partir do seu apartamento em Angra do Heroísmo, vai mudar o mundo. É o chamado "trabalho remoto". Modernices.

Depois existe a minha mãe. Esta pessoa reage a todas - T-O-D-A-S! - as minhas publicações do facebook. Se eu partilho uma imagem, ela escreve uma estrofe de 7 versos inspirada nos meus caracóis. Mas se partilho um emoji, a Dulce também saca de um comentário apropriado. Parece que é um desafio para a mulher.

Vou dar um exemplo:

Fui tomar banho com a Mafi e partilhei uma fotografia minha nas stories do Instagram (que liga automaticamente ao Facebook) e outra na minha cronologia. Duas imagens, dois comentários.

Em resposta à minha story escreve "não te preocupes, és linda de qualquer maneira", o que me deixa a pensar que ou a minha mãe pensa que estou a atravessar uma gigantesca crise de auto-estima e, por isso, preciso de massagens no ego; ou quis dizer qualquer coisa como "estás gorda como um texugo, mas és sempre linda aos olhos da mãe". Qualquer uma das hipóteses é altamente insultuosa para esta que vos escreve.

Na fotografia da cronologia, escreve "Serás sempre terceirense. Temos pena" ali a provocar o genro que é do Pico, ilha onde residimos. Sogra a ser sogra...genial mãe, sempre a somar pontos! Eu li e deixei a coisa ficar, porque sinceramente não me incomoda nada ser terceirense, muito pelo contrário. Ela liga a reclamar que eu não reajo aos comentários e o homem faz o quê? Responde-lhe com um emoji com a língua de fora. Assim, sem medo! Ah valente! Ela zangada, manda-o meter a língua para dentro e guardar o boneco. Nisto, aparece o activista de sofá só para dizer que sou muito linda, e assim como quem não quer a coisa, de repente parece que estou num jantar de família! É que só falta o cão a ladrar!

E pronto pessoas, a minha vida nas redes sociais tornou-se uma tragédia ao estilo da Grécia Antiga. Ou actual, que a desgraça é mais ou menos a mesma.

Já disse à minha irmã que desligo do mundo virtual se os progenitores começarem a usar frequentemente o Instagram. O pai já lá está, só falta a mãe.

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