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Somos todos normais, até termos filhos!

Aquele que já foi o Blogue da Mafalda | Por Ana Fagundes Lourenço

Somos todos normais, até termos filhos!

Aquele que já foi o Blogue da Mafalda | Por Ana Fagundes Lourenço

A Momo anda aí. E é preciso ter cuidado

11.03.19, Ana Fagundes Lourenço

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Não sei muito sobre o assunto, apenas o que vai surgindo na Comunicação Social: Uma criatura, de nome Momo, entra em contacto com crianças/adolescentes e incentiva-os a adoptarem comportamentos auto-destrutivos. O objectivo final é o suicídio.

 

Numa primeira leitura é fácil cair na tentação de soltar um "é a selecção natural, é deixá-los ir", mas e se for o nosso filho/irmão/sobrinho? E se for uma criança inserida num ambiente familiar tão merdoso que vê nessa figura a única "pessoa" que lhe dá atenção? E se for alguém que tenha acabado de perder a mãe ou o pai e se sinta completamente perdido? Será uma ideia assim tão absurda?

 

Custa-me aceitar que a sociedade lave as mãos deste problema. Estão a magoar as nossas crianças e nós temos o dever de actuar.

 

É preciso educar para o uso seguro da internet. E as escolas falham redondamente nesse aspecto. Não estou a empurrar a responsabilidade para as escolas, mas é lá que os miúdos passam grande parte do seu tempo. Por isso sim, a escola tem responsabilidades. Sou do tempo em que havia uma disciplina de informática no liceu. Fui bombardeada com os componentes do PC, mas ninguém me ensinou porra nenhuma sobre a internet.

 

Nós, pais, também falhamos. Crescemos numa época em que fazer queixinhas dava direito a arder no inferno e muitos pais fazem questão de aplicar o mesmo princípio nos putos de hoje. Pessoas, o mundo era mais seguro há 20 anos. Muito mais! Agora é a selva e nós temos de mudar a nossa atitude! Se o nosso filho nos procura para contar algo que o incomoda, por que raio devemos incentivá-lo a guardar tudo para si para não ser chamado "queixinhas"? Pessoas, que se lixe a opinião alheia, eu cá estou 100% disponível para ouvir as queixinhas dos meus!

 

Por fim, temos de meter na cabeça (de uma vez por todas) que temos de manter estas criaturas debaixo de olho. Se não for fisicamente - até porque trabalhamos para sustentar estes bichinhos - que seja digitalmente. Existem aplicações que permitem aos pais controlar os telemóveis e tablets dos filhos: Escolher aplicações que instalam, limitar os dados móveis por dia, etc. Lamento queridos seres de palmo e meio, mas o nosso dever de vos manter seguros sobrepõe-se ao vosso direito à privacidade. 

 

Se nada disto resultar - também acontece - vamos lá procurar ajuda junto de quem pode efectivamente ajudar-nos. Não é no Facebook, é na esquadra mais próxima. 

 

Não, não descobri a fórmula da internet segura. Mas prefiro tentar do que assobiar para o lado enquanto os adolescentes se atiram dos telhados das suas casas.

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