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Somos todos normais, até termos filhos!

Aquele que já foi o Blogue da Mafalda | Por Ana Fagundes Lourenço

Somos todos normais, até termos filhos!

Aquele que já foi o Blogue da Mafalda | Por Ana Fagundes Lourenço

Festa de Natal colégio - Ano 2019/2020

16.12.19, Ana Fagundes Lourenço

E este fim-de-semana tivemos a festa de Natal da Mafalda.

A avó está cá e a miúda não podia andar mais feliz. Podem pensar que não, mas o convívio intergeracional faz maravilhas a uma criança. Posso afirmar, com toda a certeza, que em 6 dias a minha mãe "estragou" a educação dos últimos meses. Mas como educar não é propriamente a função dela, nem me importo. As gargalhadas da Mafalda valem isso e muito mais.

Estava eu a dizer que lá fomos (pais, Mafalda, avó e tio-avô) felizes e contentes, mas desconfiados, que a miúda tanto se ri, como diz que não vai e pronto. Foi um suspense até ela ir para o palco. 

Mas lá foi, com o seu Pedro, companheiro de tantas aventuras e asneiras, sorridente e pronta para cantar "à volta do pinheiro", "a todos um bom Natal" e uma outra que não memorizei, considerando a qualidade dos vocalistas. E nós pais, sentadinhos na plateia, inchados que nem perus em véspera de Natal! Até que o pai se levantou para filmar a cria e eu segredei à minha mãe "aquele está a abusar da sorte, mas tudo bem", mas a Mafi ficou tão, mas tão orgulhosa, que começou a dizer a todos que aquele era o pai dela e cantou com um empenho que eu conseguia distinguir a voz dela das restantes.

Foi uma tarde muito bem passada, muito graças ao trabalho incansável das profissionais do colégio da minha filha. Educadoras, auxiliares e serviços gerais, não esquecendo a provedoria e os serviços administrativos, vocês são excepcionais! Conseguem pegar nos mini-terroristas que temos em casa e transformá-los em Pavarottis (nem por isso, que os catraios continuam a cantar mal como tudo, mas é para verem como estou grata). 

Sábado há mais, mas desta vez é no hip-hop                                       

Sobre o desenvolvimento pessoal

01.12.19, Ana Fagundes Lourenço

Passei a semana em formação.

Inscrevi-me em "produtividade e gestão de tempo". Considerando que muitas vezes reclamo do excesso de trabalho e da escassez do tempo, achei que seria de grande utilidade frequentar esta formação. E foi. Mas não por esse motivo.

Na Segunda-feira entrei na sala e o formador avisou-me que tinha sido enganada, pois a formação de gestão de tempo era, afinal, sobre psicologia do tempo. Confesso que pensei que o homem era doido, mas como sou educada sentei-me caladinha até perceber do que se tratava. E foi o melhor que fiz.

Eu não estava familiarizada com o desenvolvimento pessoal. É verdade que tento meditar, que uso algumas técnicas para relaxar, mas o desenvolvimento pessoal em si não me dizia nada. E sinceramente, considerando alguns "coachs" que por aí andam, essa conversa do desenvolvimento pessoal e da felicidade não me suscitava grande interesse.

É de referir que nesta formação ninguém descobriu a pólvora. Os conteúdos partilhados não foram a última descoberta da ciência. O que nos foi ensinado foi a colocar tudo em causa, a pensar, a questionar, a desafiar. Isso sim, foi novidade. E foi novidade porque nas sociedades modernas andamos um bocadinho reféns da vida, presos a uma rotina que não nos mata, mas consome um pouco de nós todos os dias. É o trânsito, é o trabalho, é o stress, são os prazos...lá está, é a vida a consumir-nos.

Esta semana aprendi a pensar mais em mim, a pôr-me não em primeiro lugar, mas numa posição de equilíbrio. Aprendi a definir com clareza quais as minhas "bolas de cristal" e quais as "bolas de borracha". Aprendi que não é errado dizer "não", nem mandar à merda mentalmente se isso nos fizer bem.

Aprendi, sobretudo, que somos nós que nos boicotamos. Que voltar ou não a fazer exercício depende apenas da minha vontade e não da de terceiros. Que posso e devo sentar-me uma meia hora por dia a ler se isso me trouxer felicidade.

Podia resistir a essas ideias, mas permiti-me mergulhar nos conteúdos transmitidos e participar de forma entusiasta nos exercícios. Reflecti, agradeci, dei abraços e tomei decisões.

A Ana que saiu daquela formação não é de todo a Ana que entrou por aquela porta na Segunda-feira. E o meu marido foi o primeiro a reparar nisso. Chegou até a dizer-me que não sabia o que eu andava a fazer no Faial, mas que já devia ter ido há muito tempo! Consegui relativizar muitas coisas e arrumar outras tantas. Afinal, se não nos fazem bem, por que motivo devemos perder tempo com elas? E acredito que ao priorizar, estou a caminhar no sentido de ser melhor pessoa, melhor profissional, melhor esposa e melhor mãe.

Além da praticidade da formação, é de realçar a parte humana que é, obviamente, a mais importante: Minhas companheiras, vocês são do caraças! Trabalhadoras, mães, filhas cuidadoras, donas de Kikos! Aprendi tanto convosco, e estou grata por isso. E claro, o formador que é assim para lá de porreiro. Um excelente comunicador, sempre com paciência para as minhas intervenções nem sempre pertinentes, mas quem me conhece sabe que falo pelos cotovelos! Vejam lá que o homem diz que falar por mil é um talento! Parece-me que vais ter de levar comigo em mais formações amigo. E se eu me entusiasmar, ainda me aturas no coaching pessoal!

E é agora que informo que vou aderir ao desafio da ignorância selectiva. Somos bombardeados diariamente com informação de tal forma agressiva e desnecessária que não só consome o nosso tempo, como ainda pode ter efeitos negativos sobre a nossa saúde. E é preciso filtrar, diminuir a nossa exposição e esses estímulos.

Por isso, meus torrõezinhos de açúcar, vou desligar durante 1 semana. Nada de blogue, nada de notícias, nem de redes sociais. Apenas música e livros de ficção para mim. Ao fim de uma semana logo avalio os benefícios deste desafio.

E se me permitem o conselho, frequentem nem que seja uma única vez uma formação desta natureza. Respeitem-se ao ponto de saírem da rotina, deste mundo de loucos, mesmo que apenas por algumas horas.

Sejam gratos!

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